Estávamos parados em frente a uma verdadeira casa-montro. Engoli a seco pensando que tipo de pessoas doentias vivem ali. Enquanto observávamos de longe,
de repente Scooby surge latindo do canto esquerdo da casa. -Scooby!-gritei
Ele parou e sentou do meu lado enquanto eu fazia carinho na cabeça dele. Misa estendeu a mão pra fazer carinho nele também mas ele latiu e ameaçou morde-la.
-AAAHHH!-Ela esperneou e deu um pulo pra trás
-E-e-esse bicho tem que estar de mordaça!!!
-Tão bonitinho né?-Disse fazendo carinho na cabeça dele-Nos conheceu em tão pouco tempo e já aprendeu a odiar quem não presta...-Disse fazendo cara de ironia pra Misa.
-O que você disse?!-Ela disse batendo o pé em minha direção
-Vou ter que repetir? Tinha que ser loira...-E revirei os olhos
-O QUÊ?! Pois fique sabendo que prefiro ser loira do que ser uma feia, gorda, tábua e do cabelo ruim que você é!!
-Repita!-Ameaçei pegando ela pela gola da camisa
-Hihi...-Ela disse rindo, mas logo seu rosto mudou e ficou sério- Você é uma feia, gorda, tábua e do cabelo ruim!!!
-CACHORRA!!!-Gritei
POU, dei um soco na cara dela fazendo-a voar e cair de cara no chão
-WOU!-Gritou Raito
Eu fui em direção a Misa e levantei ela dando um puxão pelo cabelo, mas ela caiu de novo e ficou de joelhos.
-Cadê a coragem agora, hein?-Disse rindo
-Kushynna! Já chega larga ela!-Disse Raito correndo em minha direção. Mas de repente parou porque viu que L ficou parado sem fazer nada
-Você vai ficar parado aí sem fazer nada Lawliet?!
-Em primeiro lugar...-Ele disse sério- Já pedi mil vezes pra, por favor, me chamar só de L. Segundo: Ela fazia exatamente isso no présinho. Não fará nada de mais. Sei bem o que ela irá fazer...
Segurei ela pelos cabelos e saquei uma tesoura de ponta. Puxei uma maria chiquinha dela e tchum!! Cortei bem rente a cabeça, cortando o elástico que amarrava o cabelo. Ela ficou em estado de choque e se virou lentamente pra mim boquiaberta.
-Tó aqui:-Disse entregando a mecha- Caso você queria fazer um aplique.-E sorri irônica como quem diz "E aí? Quem mandou mecher comigo?"
-KUSHYNNA!-Disse Raito correndo na minha direção. Me empurrou no chão e L logo começou a vir me ajudar.
-Está bem?-Ele disse estendendo a mão
-Vou sobreviver...
-Qual o seu problema Kushynna?! Você é insultada, e simplismente corta o cabelo de uma pessoa?!
-Eu pedi pra ela parar.-Disse séria quardando minha tesoura no cinto da calça
-Não é desculpa, sinceramente, você parece favelada às vezes!-Ele disse, pegando a Misa pela mão e tirando-a dali. Teríamos que abandonar o caso por aquele dia. Olhei enquanto eles subiam na avenida e puxei Scooby pela coleira para sair daquele beco, até chegarmos em casa. Joguei a leitura de digitais e o portão se abriu. Abri a porta principal e larguei Scooby lá dentro. Percebi que Misa/Raito colocaram um potinho com água e comida pro cachorro. Olhei pra eles de raspão e vi que Misa estava sentada numa cadeira com um copo dágua na frente e com o nariz vermelho (deve ter chorado) e Raito ficava do lado dela dizendo "Calma, calma, cresce de novo...". Virei às costas e entrei apressada no elevador. Apertei um botão que não tinha número e esperei a porta do elevador fechar. Sentei no chão e cobri meu rosto. Não era a primeira vez que me xingavam de "favelada". Isso doía bem lá no fundo.
Pouco depois a porta abriu e revelou o terraço. O terraço era quase uma floresta. Meus pais plantaram muitas árvores lá. É que quando pequena, eu acreditava em fadas, e meus pais fizeram uma floresta pra eu brincar de faz-de-conta. Fui abrindo caminho pela florestinha até me deparar com o para-peito. Fiquei observando a paisagem...O que tinha de errado comigo? Porque eu me irritava tão fácil? Muitas frustações na vida? Sim... Apoiei a cabeça no para-peito e fechei os olhos. Pouco tempo depois, sinto a presença de alguém do meu lado. Virei o rosto pra esquerda pensando que não fosse ninguém. Mas o sentimento de presença continuava, continuava, continuava... Até que me atrevi a abrir os olhos e levemente virei a cabeça novamente pra direita: Lawliet.
-L-lawliet?! C-como você chegou aqui!?
-Por favor, me chame só de L. Ou então de Ryuuzaki, como quiser.-Ele pediu olhando para frente.
-Ok..."L"...Como chegou aqui?
-Enquanto a porta do elevador fechava eu pude perceber que você apertou algum botão bem em cima, simplesmente fiz o mesmo.-E ele sorriu de leve
-Ah tá.-Falei, pra não ficar sem falar nada.
Dei um longo suspiro e lembrando do que o Raito disse e L se virou pra mim:
-Está pensando no que o Raito disse né?
-É...-Confecei triste
-Aquela recepsionista sempre te chamava assim né?
-C-como você sabe?!
-Eu percebia muita coisa que até hoje você não percebe.
-Por exemplo?-Pedi com um pouco de arrogancia na voz
-Por exemplo? Bom...Dexa eu ver...-Ele disse colocando o dedo na boca- Por exemplo: Eu percebi que o seu sutiã tá aparecendo e você não.
-"What?!"-pensei. Olhei levemente pro decote da minha camisa e vi que metade do sutiã estava pra fora. Corei igual a um tomate e puxei a camisa até o pescoço. Suspirei novamente até que L me chamou a atenção.
-Consegue ouvir os sinos?
-Como?
-Os sinos. Eu ouço todo dia. É realmente desconcertante.
-Quais sinos L?!
-Do orfanato. Você deve se lembrar bem. Você ia lá quase todo dia.
-Ah... Vou tentar ouvir os sinos ok?-Disse brincando. Ele se virou pra mim e colocou a mão na minha cabeça.
-Feche os olhos, por favor.
Obedeci e fechei os olhos bem devagar. Sua mão foi descendo, passando pelos meus cabelos e parando no lado esquerdo do meu seio (o lado do coração *u*). Pouco depois comecei a ouvir o badalar de uns sinos, começaram baixo, mas logo foram aumentando. Ele colocou a mão na minha testa fazendo sinal pra eu abrir os olhos.
-Consegue ouví-lo?
-Hum, hum. -Afirmei com a cabeça
Ele tirou a mão da minha cabeça e a colocou novamente no parapeito.
-Lembra-se de lá?
-Sim...Muito bem...
(toca flash back)
7:00 da manhã. Meu pés batiam apreçados na rua do asfalto molhado. Era uma manhã de inverno e eu estava de cachecol. Apertava forte contra meu peito um livro de capa-dura, grosso, com pelo menos umas 600 páginas. As pessoas desviavam de mim ou eu as empurrava. Cheguei na frente de um portão pelo menos 5 vezes maior que eu. Toquei a campainha e da caixa de som saiu a voz de Watari:
-Quem é?
Apertei o batão pra falar e disse esbaforida
-*af af* Watari! *af af* É a Kushynna *af af* Posso falar com o L Onegaaaay? *Af af af af*
- *bzz bzz* Tudo bem Senhorita Kushynna. Vou abrir o portão pra você. Peça para a dona Yamata chamar o L pra você.
O potão de 5 metros se abriu e voltei a correr apressada pelo longo caminho até a mansão. Chegando lá, abri a porta principal e fui direto até o balcão. Era alto, maior que eu. Coloquei o livro no chão e usei como apoio para me pendurar na bancada. A recepsionista estava lendo o livro e não me viu. Deslisei minhas mãos gordinhas até a sineta e toquei em um pulo.
-Han?!-Disse a moça. Ela abaixou o livro e viu meu rostinho pendurado na bancada.
-Ah, é você.-Ela disse quase que desapontada
-Moça, o L tá aí? Eu posso ver ele? Por favooor?-Pedi doce
Ela olhou pro lado e viu Watary na ponta do corredor sorrindo, com cara de quem diz "Pode deixar". Yamata suspirou longo e alto e saiu de trás do balcão e sumiu no corredor, sem me dizer nada. Desci da bancada em um pulo e Watary veio até mim.
-Ela foi buscar sem amigo, não se preocupe.
Sentei no chão e abri o grande livro que roubei da biblioteca (vocês não acreditam como foi difícil andar pelas tubulações) O livro tinha poucas gravuras e muitas palavras. Era um livro pra adultos, e tinha muitas palavras estranhas. Por isso gostava de ler com L, ele era mais inteligente que eu e me ajudava a ler o que eu não sabia. um tempo depois ouvi uns passos no corredore vem Yamata trazendo L pela mão.
-Tem alguém que veio te ver, L.
-Oi L.-Disse abrindo um sorriso
L soltou da mão de Yamata e veio em minha direção
-Oi Kushynna. Que bom poder te ver de novo.-E sorriu um poquinho
-Ah L! Dá uma olhada no livro que eu trouxe!
-Sherlock Holmes?-Ele disse pegando o livro pela parte de cima.-Legal...
-Vamos ler?-Disse animada
-Claro, por que não. Vem comigo.-Ele disse me pegando pela manga do meu casaco.
Quando Yamata viu que sumi no corredor. Suspirou brava.
-Não acredito, aquela garotinha do morro não larga do nosso pé!
-Uai! Má que 'moro'?-Disse a faxineira
-Ai Graça, O Morro! Aquela favela aqui perto!
-Máix essa minina num é fia daquele casau ricão qui tinha uma impresa das boa?!
-Exato! TINHA! Os pais dela faleceram e ela mora com a avó.
-Arre! Maix intão ela naum ficô com a herança sô!
-Ficou sim Graça, mas...
Ela puxou a Graça pra perto e coxixou no ouvido dela
-Mas a avó dela é viciada em jogatina. É uma jogadora de poquer famosíssima pelo lado negro dessa cidade. E sabe se lá se o boato de que ela é da máfia e verdade! Então ela teve que morar no morro pra usar como disfarce!
-Eeeeeta! Maix que problema dos grande arra!
-Exatamente por isso que não gosto dessa Faveladinha por aqui! Este lugar é um orfanato para superdotados! E não para o povo da favela!
-Inda bem que essa minininha NUM OUVIU o que ce disse, si não ia rolá um pobrema dus grandi!-Disse Graça saindo pra varrer a frente da mansão
Uma lágrima pingou do meu olho. Sentei no chão junto a parede e chorei em silêncio. Tinha ouvido tudo. As lágrimas rolavam sem controle pelo meu rosto. Chorava de boca aberta porém sem fazer som. Não tinha ideia de que os outros pensavam assim de mim, não tinha ideia que minha vida era assim! Eu confiava minha vida a minha avó, mas agora, sabia que tinha que fugir de casa imediatamente!
L sentou junto ao meu lado e observou as lágrimas que pingavam dos meus olhos. Ele pegou minha franja e segurou para trás com uma das mãos. Com o indicador, limpou o caminho que a lágrima fez em meu rosto, e depois botou o dedo na boca. Foi fazendo isso com cada dedo, até terminar os 10. Mas eu continuava a chorar, não parava por nada. Ele soltou minha franja e segurou meu rosto com as duas mãos. Passou os polegares pelos meu olhos e sussurrou baixinho
-Não chore...
Parei de chorar imediatamente deixando meu rosto corado.
-L...!-
-Shiiii....-Ele disse colocando o indicador na frente da boca, pedindo silêncio.
Levantamos e ele pegou o livro. Enxuguei melhor minhas lágrimas com a manga do casaco e fui seguindo L. Ele abriu a porta de um quarto e tinha algumas crianças fazendo coisas por lá. Ele sentou numa cama e eu sentei ao seu lado.
-Quem lê?-Perguntei doce novamente
-Pode ler, por favor?-Ele perguntou sentando daquele jeito que ele senta.
-Ah, claro! Sem problemas!
Abri a cama e começamos a ler o primeiro capítulo. logo começou um burburinho de crianças falando "Que que tá acontecendo?" "Quero ler também" 'Qual livro que é?" E logo um monte de criançinhas se juntaram ao nosso redor e leram quietas conosco.
BLÉM! BLÉM! BLÉM!
O sino bateu e indicou 7 horas da noite. O livro ainda estava pela metade.
-Nossa! Eu tenho que ir!
-Ahhhhh!-Suspiraram desanimadas as criancinhas
-De boa gente! Amanhã eu volto!-Disse fechando o livro. Caminhei até a porta do quarto e disse com uma voz dengosa:
-Tchau L....
Aí a galera começou a zoar
-"Uh! Tá namorando! Uh! Tá namorando!"
Saí e quando bati a porta de entrada ouvi a Yamata falando "Aff, pensei que a favelada não ia embora" Respirei fundo e fui pra minha casa. Fui subindo o morro até chegar no alto dele, minha casa. Abri a porta e minha vó não estava em casa. Me tranquei no quarto e esperei até dar 22:00 da noite pra mandar uma menságem rápida pro L.
Do outro lado da cidade....
Todos dormiam no orfanato. L recebeu a mensagem rápido. Pegou o celular e se meteu debaixo do cobertou para ninguém perceber que ele dormia. Abriu a mesagem e lá estava escrito:
"L! Dexa a janela aberta! Estou indo p/ í! SOS! Falo dpois!



amei o capitulo!!!!
ResponderExcluirShow.
ResponderExcluirAdorei.
Muito engraçado ter cortada maria chiquinha da missa kkkk
louca prazer o próximo capítulo.